PÁSCOA – DOMINGO DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – 1o. Domingo
29/03/2010
PÁSCOA – CALENDÁRIO LITÚRGICO
De todas as crises (krysis), a morte é a mais decisiva da vida humana. Isso implica também em decisão, por que até aqui ainda se pode adiar, protelar, manter em luz-e-sombra o que fazer da vida. Agora não há meio-termo. Não é mais possível flutuar na ambiguidade, é inevitável o desmoronamento do homem exterior (L.Boff). Mergulhadas no mais recôndito lugar, no interior de nossa humanidade, evocando o que não é consciente, individual e coletivamente, à luz de atavismos, heranças ancestrais que agora se apresentam irrevogavelmente, as verdadeiras dimensões do que somos são expostas à clareza do sol do meio-dia, com a morte. Caem todas as máscaras que encobrem nossa autenticidade, a realidade sai da nebulosidade: nós somos o que somos, humanos e sem mais recursos. Não há maquiagens que possam esconder nosso verdadeiro rosto. Na morte.
Somos mortais. Jesus Cristo assumiu nossa condição. Somos homens e mulheres mortais num mundo onde a morte, sob todas as formas possíveis, quer reinar. Não sabendo acolher a vida biológica como dom divino, um dado natural na existência dos seres comuns, na incerteza traiçoeira que produz angústia e terror pela vida mortal, a compreensão judaico-cristã tornou a morte um castigo como conseqüência do pecado. E não erra no sentido. No entanto, esse conceito nada significa se não reconhecemos que, na experiência do cristão e da cristã se produz a novidade de vida e ressurreição permanente, continuamente, da criatura e da criação. Certamente destacando-se a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, inaugurador da nova humanidade e campeão vitorioso sobre a morte. Por causa dele, há possibilidades para todos nós, de superar a morte. Em Cristo todas as ressurreições são possíveis. Onde há morte, sobrepõe-se a vida. E a vida é dom de Deus. E Deus é o Deus da Vida.
Falaremos nesta Páscoa sobre a ressurreição que se refere à intervenção de Deus na história dos sofredores, vítimas dos pecados seus e da sociedade opressora, dos crentes e da religião, que se juntam mortalmente na mesma vala da alienação, na equidistância das massas sofredoras, especialmente neste mundo histórico e geograficamente situado abaixo da Linha do Equador. Lugar de povos humilhados, vítimas de pecados estruturais e de tantas violências da parte de outros; etnias exterminadas, culturas apagadas por processos de aculturação (Paulo Freire); doentes, moribundos, acometidos de enfermidades que retornam continuamente, enquanto populações inteiras são exterminadas, inclusive culturalmente.
Falaremos das gentes sem esperança, derrotadas pela realidade que esmaga e destrói as utopias de salvação, detonando os sonhos de bilhões de seres humanos oprimidos, servindo o império da morte. O desespero é uma força que instila impotência, fatalismo, destino inevitável, submissão dos escravizados ao mal, como se este fora um decreto divino irrevogável e irreversível. A ressurreição do Senhor desmente a falácia do mal irreversível. Ela constitui a nossa esperança suprema na salvação a na libertação que só Deus pode proporcionar.
A ressurreição marca a presença da vida que se sobrepõe à morte e ao sofrimento; ao derrotismo, quietismo, conformismo e fatalismo, como falsas exigências divinas para se conservar as velhas opressões. Karl Barth disse que a ressurreição de Cristo dentre os mortos, enquanto um processo de destruição da morte, também afirma a vida eterna (cf. João: vida eterna é o mesmo que “vida plena”). Pra frente, ressurretos! A ressurreição é um fato que transforma tudo em vida nova abundante. Os horizontes humanos se ampliam, a esperança de uma nova criação se instala com a fé na ressurreição.
Deus se revela sobre a impotência, no esvaziamento de quaisquer forças sobrenaturais (kenosis), para morrer e ressuscitar. Deus estava em Cristo reconciliando os homens e as mulheres com Deus (Paulo). Na cruz e no sofrimento solidário, especialmente, Deus, em Jesus Cristo, assume a condição humana exemplarmente, por inteiro, no sofrimento até a morte. Mas Jesus ressuscitou! Com ele ressuscitaremos todos nós. Há vida brotando em toda parte. Flores nascem das sepulturas. Deus venceu, nós venceremos com Ele todas as mortes. Aleluia!
Cores Litúrgicas: Branca ou Ouro
DOMINGO DA RESSURREIÇÃO – Atos 10.34-43 ou Isaías 65.17-25; Salmo 118.1-2, 14-24; 1Cor.15.19-26 ou Atos 10.34-43; Jo 20.1-18; Lc 24.1-12
2o.DOMINGO – Atos 5.27-32; Salmo 118.14-29 ou Salmo 150; Apocalipse 1.4-8; João 20.19-31.
3o.DOMINGO – Atos 9.1-6 (7-20); Salmo 30; Apocalipse 5.11-14; João 21.1-19.
4o.DOMINGO – Atos 9.36-43; Salmo 23; Apocalipse 7.9-17; João 10.22-30.
5o.DOMINGO – Atos 11.1-18; Salmo 148; Apocalipse 21.1-6; João 13.31-35
6o.DOMINGO – Atos 16.9-15; Salmo 67; Apocalipse 21.10, 21.22—22.5; João 14.23-29 ou João 5.1-9.
ASCENSÃO (5a.-feira)– Atos 11.1-18; Salmo 148; Apocalipse 21.1-6; João 13.31-35.
7o.DOMINGO – Atos 16.16-34; Salmo 97; Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21; João 17.20-26
DOMINGO DE PENTECOSTES (Cor lit. Vermelha)– Atos 2.1-21 ou Gênesis 11.1-9; Salmo 104.24-34 E 35b; Romanos 8.14-17 ou Atos 2.1-21; João 14.8-17 (25-27)
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