PÁSCOA – Ciclo central do Calendário Cristão

26/03/2010

FECHANDO A QUARESMA

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO

Liturgia da Palavra

Is 50, 4-7: Não cubra meus olhos diante dos ultrajes contra o povo

Salmo 118,1-2; 19-29 – “Entrarei pelas portas da justiça, esta é a porta do Senhor”

Filipenses 2, 6-11 – Cristo humilhou-se,  por isso Deus o exaltou acima de tudo

Lucas 19,28-40 – “Bendito o que vem em nome do Senhor!”

Entre a Quaresma e a Páscoa, Semana da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo,  Ramos é um domingo para nunca mais esquecermos. Os cristãos estarão, neste domingo de Ramos, caminhando ao lado de Jesus? As implicações dessa caminhada envolvem o compromisso de levar a sério nossa adesão à causa de Jesus Cristo. Acompanhar Jesus em sua última jornada no caminho da cruz, enquanto Ele entra na cidade de Jerusalém aclamado como o rei que traz o shalom de Deus, implica em levar a sério as realidades que corroem o mundo e clamam pela paz. Ninguém mais duvida de que as causas geradoras dos grandes e dos menores conflitos sociais, nacionais e internacionais, são encontradas nas desigualdades econômicas, na falta de oportunidades de trabalho, escola, nas políticas internacionais e domésticas envolvidas com questões que passam pela fome de quase 2 bilhões de habitantes do planeta; questões que identificam os abismos das desigualdades nos 4 bilhões à margem do mundo moderno (usufruído por menos de 2 bilhões de pessoas), também chamado pós-industrial.

Pode ser que a solidariedade com o mártir do Reino, como ocorreu com seus seguidores, imediatamente ao seu martírio, nos obrigue a abandonar aqueles postulados religiosos quietistas, acomodatícios, fatalistas (Calvino, num triste momento: Deus não somente previu a queda do primeiro homem, e nela a ruína de toda a posteridade, como também a quis; concordando com o Alcorão: Deus perdoa a quem quer e tortura a quem bem entende). Talvez nos force a romper com ideologias e dogmas políticos, ou religiosos, para cantarmos com sinceridade o cântico das multidões: Hosanas! Bendito aquele que vem em nome do Senhor.

Lucas 19,28-40  – A chegada de Jesus a Jerusalém comove a multidão.  O povo reage de maneiras diferente das autoridades. Este o aclama como Rei, aquelas ficam apreensivas.  O povo tem esperança de libertação, se religiosa, política, ou econômica. A pobreza e as opressões são muitas. As autoridades sentem-se ameaçadas no seu prestígio e autoridade, e, sem dúvida, no exercício do “poder” (ah, o ‘pudê’, como os poderosos políticos nordestinos brasileiro exclamam extasiados). E o povo alegre, festivo, cantante, dançando, recebe o Messias de Deus, como acreditava… mas logo virá a tristeza. Nesta mesma semana Jesus de Nazaré será preso, torturado, humilhado em sua realeza divina,  e esvaziado de qualquer proteção dos céus! E então, enfraquecido, vulnerável, será levado ao martírio, sem que esse mesmo povo se comova. Bem-feito!, diriam muitos.  Não tinha cacife, por que se arriscou e nos enganou?!

João é mais sóbrio que Lucas na narrativa que gera a Festa de Ramos na Igreja de Cristo. Os entornos são mais importantes: trata-se de afirmar o poder de Jesus sobre a morte, em todas as suas manifestações. Porém, a recepção não passará em branco. Um peregrino famoso poderia ter igual tratamento, mas a entrada de Jesus faz a diferença: Jesus é recebido como um rei messiânico. O que se espera dele é a salvação para os males de uma sociedade inteira, alcança os problemas sociais enquanto atinge definições políticas sobre a vida nacional sem deixar de lado o problema da religião quietista, conformada, subserviente ao sistema sócio-econômico – quando atua como pára-choque cultural da potência dominadora.

A dura e real história do homem e da mulher é acometida de forças estremecedoras de pecados e castigos que não se evitam, embora sob promessas de paz e ameaças de retaliação. É nessa história que se manifesta o Deus cujas entranhas se comovem (rahamin), como se comove uma mãe por seus filhos. Ao mesmo tempo, é o Deus irado, “cuja ira é mais terrível que exércitos enfurecidos”, contra a força do mal que sobre indivíduos e comunidades. Não compreendemos isso, a não ser pela experiência radical do amor ilimitado, quando se perde a inocência, e são postas à prova as possibilidades humanas nas cruéis limitações da realidade da subserviência religiosa. “Quando a força do mal sistêmico sobre o indivíduo, a comunidade e a sociedade, ultrapassa a compreensão humana, surge a confiança no amor, na bondade, na ternura de Deus como palavra final” (Queiruga).

O Reino de Deus não é imposto pelo poder das armas, nem é acompanhado de decisões político-partidárias. Ali, como aqui, vários “partidos” são interessados no comando ou na influência sobre a sociedade, nesse tempo: saduceus – proprietários e latifundiários que dominavam o sistema econômico; fariseus – homens comuns da sociedade, mais interessados na religião, nos regulamentos controladores da vida espiritual da sociedade; escribas e doutores da Lei – autoridades na interpretação da Torá, do Talmude e de vários outros reguladores religiosos da sociedade através da teologia e da pedagogia do legalismo: a letra morta, desse modo, valeria mais que a Palavra de vida! Jesus faz um discurso decisivo em torno de sua proposta o Reino de Deus necessita da adesão de todos. A palavra shalom (paz: direitos atendidos, bem-estar social para todos, dignidade, espírito feliz confortado pela presença da justiça em todas as esferas de vida.) é o eixo desse pronunciamento.

“Entrarei pelas portas da justiça, esta é a porta do Senhor” (Sl 118, 1-2; 19-29). Um mundo novo estará amanhecendo. Gandhi, Bonhoeffer, Niemöler, Paul Shneidder, Nelson Mandela, Luther King Jr., monsenhor Romero, Chico Mendes, Jaime Wright, Irmã Dorothy, mártires da Paz e da Fé, entenderam esse sentido: perdão e reconciliação entre povos e nações; libertação do poder de todos os pecados, inclusive dos pecados estruturais do nosso tempo; reconciliação dos que não têm a mesma tradição religiosa; nova vida no serviço da justiça de Deus; direito de herdar e gozar bem-estar num mundo transformado pela misericórdia e compaixão; participação de um novo mundo sob  o empenho apaixonado na causa de Deus.

Derval Dasilio

PÁSCOA – CALENDÁRIO LITÚRGICO

Cores Litúrgicas: Branca ou Ouro

DOMINGO DA RESSURREIÇÃO – Atos 10.34-43 ou Isaías 65.17-25; Salmo 118.1-2, 14-24; 1Cor.15.19-26 ou Atos 10.34-43; Jo 20.1-18; Lc 24.1-12
2o.DOMINGO – Atos 5.27-32; Salmo 118.14-29 ou Salmo 150; Apocalipse 1.4-8; João 20.19-31.
3o.DOMINGO – Atos 9.1-6 (7-20); Salmo 30; Apocalipse 5.11-14; João 21.1-19.
4o.DOMINGO – Atos 9.36-43; Salmo 23; Apocalipse 7.9-17; João 10.22-30.
5o.DOMINGO – Atos 11.1-18; Salmo 148; Apocalipse 21.1-6; João 13.31-35
6o.DOMINGO – Atos 16.9-15; Salmo 67; Apocalipse 21.10, 21.22—22.5; João 14.23-29 ou João 5.1-9.
ASCENÇÃO (5a.-feira)– Atos 11.1-18; Salmo 148; Apocalipse 21.1-6; João 13.31-35.
7o.DOMINGO – Atos 16.16-34; Salmo 97; Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21; João 17.20-26

DOMINGO DE PENTECOSTES (Cor lit. Vermelho)– Atos 2.1-21 ou Gênesis 11.1-9; Salmo 104.24-34 E 35b; Romanos 8.14-17  ou Atos 2.1-21; João 14.8-17 (25-27)

Liturgias para a Páscoa

http://www.webselah.com/new/verrecurso.asp?CodigoDeItem=1699&CodigoDeFuente=2

2 Responses to “PÁSCOA – Ciclo central do Calendário Cristão”

  1. Derval Dasilio Says:

    DOMINGO DA RESSURREIÇÃO – Atos 10.34-43 ou Isaías 65.17-25; Salmo 118.1-2, 14-24; 1Coríntios 15.19-26 ou Atos 10.34-43; João 20.1-18; Lucas 24.1-12
    2o.DOMINGO – Atos 5.27-32; Salmo 118.14-29 ou Salmo 150; Apocalipse 1.4-8; João 20.19-31.
    3o.DOMINGO – Atos 9.1-6 (7-20); Salmo 30; Apocalipse 5.11-14; João 21.1-19.
    4o.DOMINGO – Atos 9.36-43; Salmo 23; Apocalipse 7.9-17; João 10.22-30.
    5o.DOMINGO – Atos 11.1-18; Salmo 148; Apocalipse 21.1-6; João 13.31-35
    6o.DOMINGO – Atos 16.9-15; Salmo 67; Apocalipse 21.10, 21.22—22.5; João 14.23-29 ou João 5.1-9.
    ASCENSÃO (5a.-feira)- Atos 11.1-18; Salmo 148; Apocalipse 21.1-6; João 13.31-35.
    7o.DOMINGO – Atos 16.16-34; Salmo 97; Apocalipse 22.12-14, 16-17, 20-21; João 17.20-26
    DOMINGO DE PENTECOSTES – Atos 2.1-21 ou Gênesis 11.1-9; Salmo 104.24-34 E 35b; Romanos 8.14-17 ou Atos 2.1-21; João 14.8-17 (25-27)

  2. derwal Says:

    Consulte as liturgias para o ano litúrgico da Rede latino-americana de Liturgia:
    Domingo de Ramos, Páscoa, etc., com recursos litúrgicos.
    http://www.webselah.com/new/list.asp?Categoria=9&CodigoDeFuente=2
    LITURGIAS PARA A PÁSCOA
    http://www.webselah.com/new/verrecurso.asp?CodigoDeItem=1699&CodigoDeFuente=2


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